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Helena Sacadura Cabral

Helena Sacadura Cabral

A CAMINHO DA SEGUNDA VOLTA

Acabou a primeira volta das Eleições. Parecem estar definidos os candidatos à segunda, Não vai ser fácil viver neste tumulto, agora em numero mais limitado, outra vez ...

Dá mesmo uma sensação de recomeço do aperto. A primeira volta termina, mas o clima não acalma — às vezes até fica mais tenso, porque agora tudo se polariza de vez.

Viver este período pode ser cansativo. Mas talvez ajude lembrar que:

  • não se é obrigado(a) a acompanhar tudo o tempo todo;
  • escolher quando e onde se informar, já é uma forma de autocuidado;
  • dá para discordar do tumulto sem se desligar da realidade.
  • Emocionalmente: sensação de cansaço, irritação, ansiedade, desânimo ou até um aperto difícil de explicar.
  • No dia a dia: dificuldade de se concentrar, vontade de se desligar de notícias/redes, rotina mais pesada, menos energia.
  • Nas relações: evitar certos assuntos, tensão com familiares/colegas, medo de conflito, afastamento de algumas pessoas.

Não precisamos elaborar muito — podemos dizer algo como “mais emocional”, “mais nas relações” ou “um pouco de tudo”.

publicado às 21:43

APÓS O VOTO

Depois de votar, fica no ar uma sensação difícil de definir. É uma mistura de alívio por ter cumprido um dever cívico e de inquietação pelo peso da escolha feita. O gesto é simples — um papel, uma cruz, uma urna — mas o significado é profundo. Por alguns instantes, sente-se que a própria voz ganhou forma, ainda que pequena, dentro de um processo muito maior.

Há também um silêncio interior que acompanha o momento seguinte: perguntas sobre o futuro, dúvidas sobre se a decisão foi a melhor, esperança de que o voto represente mudança ou, ao menos, continuidade responsável. O estado anímico oscila entre a confiança e a apreensão, entre o orgulho de participar e a consciência de que os resultados escapam ao controlo individual.

No fim, votar deixa uma marca emocional discreta, mas duradoura. É a sensação de pertença a uma comunidade que decide em conjunto, carregando tanto expectativas como receios. Mesmo sem certezas, permanece a ideia de que participar importa — e que, naquele breve momento, cada escolha contou

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publicado às 17:52

AS NOSSAS ELEIÇÕES (Entre o sério e o sorriso)

Chegou a época das eleições, esse período mágico em que ninguém tem passado, todos têm esqueletos no armário e alguns até descobrem que o armário afinal era um motel. Não faltou nada: corrupção, cunhas, mensagens apagadas, amizades repentinas, moralidade retroativa e, claro, sexo — porque sem sexo não há campanha digna desse nome.

Os programas eleitorais passam para segundo plano, substituídos por dossiês, memórias seletivas e denúncias arqueológicas. Vale tudo: escândalos fresquinhos, boatos requentados e até acusações que parecem ter sido desenterradas com pincel e cuidado, como fósseis. Melhor do que isto só mesmo o caso do Iglesias, que aos 81 anos é agora apontado por alegados assédios cometidos há 30 — um prodígio temporal que faz da política a única ciência onde se envelhece para trás.

Nesta altura, não se escolhem ideias, escolhem-se sobreviventes. Ganha quem tropeça menos nas pedras que convenientemente aparecem no caminho — pedras essas que ninguém viu durante anos, mas que brotam do chão assim que alguém sobe nas sondagens.

No fim, vota-se cansado, desconfiado e com a sensação de que participou não numa eleição, mas numa novela mal escrita, onde todos juram inocência, todos têm provas “graves” e a verdade… bem, a verdade ficou presa numa comissão parlamentar qualquer.

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publicado às 17:42

À espera dos resultados eleitorais,

O país quase sustém a respiração.
Não são apenas resultados que se aguardam,
mas caminhos possíveis para a nossa forma de viver em conjunto.

Em cada número há decisões que chegam à escola, ao hospital,
ao trabalho, à casa onde se tenta chegar ao fim do mês.
Há direitos que podem ser fortalecidos ou fragilizados,
há vozes que podem ser ouvidas — ou silenciadas.

A espera é tensa porque sabemos que a escolha não é neutra.
Ela define quem é protegido, quem é esquecido
e que ideia de futuro estamos dispostos a defender.
Entre a esperança e o receio, aguardamos,
conscientes de que amanhã pode exigir mais luta
ou permitir mais dignidade.

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publicado às 14:48

A alegada calúnia sobre Cotrim Figueiredo pode acabar por o beneficiar

Não falo habitualmente de política. Especialmente, num quadro eleitoral como este que atravessamos que ultrapassa tudo o que se considera democrático. Mas vou abrir uma exceção,

Na vida pública, nem todas as tentativas de difamação produzem o efeito desejado. Em alguns casos, uma alegada calúnia dirigida a uma figura política pode transformar-se num fator de fortalecimento da sua imagem. Quando a acusação é percebida como injusta ou infundada, a reação do público tende a ser de solidariedade e defesa do visado.

No caso de Cotrim Figueiredo, se surgirem ataques que não sejam sustentados por provas, estes podem contribuir para reforçar a sua credibilidade e visibilidade. A atenção mediática gerada por situações deste tipo, muitas vezes permite que o próprio esclareça os factos, reafirme os seus valores e consolide a confiança dos seus apoiantes.

Além disso, numa sociedade cada vez mais atenta à desinformação, acusações levianas podem prejudicar mais quem as faz do que quem as recebe. O público tende a valorizar a coerência, a transparência e a postura serena perante a adversidade, o que pode transformar um ataque num ganho político e pessoal.

Assim, embora a calúnia seja sempre condenável, a verdade é que, em certos contextos, ela não só não atinge o seu objetivo, como pode acabar por compensar quem é alvo dela, fortalecendo a sua posição perante a opinião pública.

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publicado às 12:25

ENFRENTAR A DESILUSÃO

Quem é que nunca sofreu uma desilusão? Respondo, convicta e segura, ninguém!

Enfrentar a desilusão, é um ato silencioso de coragem. Ela chega quando as expectativas se quebram, quando as pessoas, os planos ou os sonhos, não correspondem ao que imaginávamos. Dói, porque nasce da esperança — e só se desilude quem acreditou de verdade.

A desilusão obriga-nos a encarar a realidade sem os filtros do idealismo. No primeiro momento, tudo parece perda: a confiança abalada, o entusiasmo diminuído, o coração mais cauteloso. Mas, com o tempo, percebemos que ela também carrega uma aprendizagem profunda. Ao cair o véu, ganhamos clareza. Passamos a enxergar quem somos, quem são os outros e, o que realmente, merece o nosso investimento emocional.

Enfrentar a desilusão não significa endurecer ou deixar de sonhar. Significa amadurecer. É aprender a alinhar as expectativas com a realidade, sem abrir mão da sensibilidade. É entender que nem toda a queda é um fim — algumas, são apenas redireccionamentos.

Quando aceitamos a desilusão, transformamos a dor em força. Ela ensina-nos os limites, fortalece a autoestima e aproxima-nos de relações mais verdadeiras.

Seguir em frente, depois de uma desilusão, é um gesto de amor-próprio. É reconhecer o que feriu, acolher o sentimento, e escolher continuar, agora com mais consciência e menos ilusões. Nenhuma desilusão merece a nossa dor!

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publicado às 22:47

UM SOPRO DE ETERNIDADE

Já vivi momentos assim. Que, por mais que nos esforcemos para os descrever, se não conseguem explicar. As palavras não são suficientes para dar uma pálida ideia daquilo que eles representam.

São instantes que não passam. Apenas se recolhem em nós, como se o tempo, por descuido ou gentileza, se tivesse esquecido de continuar.

Aquele “fragmento de eternidade” nasceu pequeno, quase invisível, mas denso demais para caber no “agora”. Não durou mais que um segundo — e, ainda assim, permanece em nós. Vive no intervalo entre a lembrança e o sentimento, onde nada envelhece por completo.

Não era feito de grandes gestos. Era um olhar sustentado um pouco além do necessário, um silêncio que dizia mais do que as palavras ousariam, um respirar fundo, antes de tudo mudar. Nesse fragmento, o mundo parecia suspenso, como se o infinito tivesse aceitado ser breve só para provar que existe.

Talvez seja isso a eternidade: não um tempo sem fim, mas um momento que se recusa a morrer. Algo que o corpo guarda, mesmo quando a vida segue, mesmo quando tudo ao redor, insiste em continuar.

E assim, aquele fragmento permanece — não no relógio, mas em quem o sentiu. Intacto. Inexplicável. Eterno, o suficiente.

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publicado às 17:47

O mais importante não é compreender

Vivemos numa época obcecada por explicações. Queremos entender tudo, dar nome a tudo, encaixar cada experiência numa lógica confortável. No entanto, há momentos da vida em que compreender, não é o essencial. Há sentimentos que não se explicam, dores que não cabem em palavras e encontros que só fazem sentido quando são vividos, não analisados.

Compreender exige distância. Sentir, ao contrário, exige presença. Quando tentamos entender demais, corremos o risco de nos afastar da experiência real, de transformar o que é vivo em conceito, o que é profundo em teoria. Nem tudo foi feito para ser decifrado. Algumas coisas existem, apenas, para ser acolhidas.

O amor, por exemplo, não precisa de ser compreendido para ser verdadeiro. A fé não depende de provas absolutas para existir. A arte não se esgota em interpretações. Há uma sabedoria silenciosa em aceitar o mistério, em reconhecer que nem tudo precisa de resposta imediata.

O mais importante, muitas vezes, não é compreender, mas escutar, sentir, permanecer. É permitir-se viver a experiência como ela é, com as suas ambiguidades e incertezas. É confiar que, mesmo sem entender tudo, ainda assim, podemos crescer, aprender e seguir em frente.

Porque há verdades que não se revelam à mente, mas ao coração. E há caminhos que só se mostram quando aceitamos caminhar sem mapa.

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publicado às 20:47

ENSINAR E APRENDER

Ensinar e aprender são processos distintos, porém inseparáveis, que se constroem na interação entre pessoas, saberes e contextos. Ensinar não é apenas transmitir informações, assim como aprender não se limita a memorizar conteúdos. Ambos envolvem diálogo, experiência, reflexão e transformação.

Ensinar significa criar condições para que o conhecimento possa ser compreendido, questionado e apropriado pelo aprendiz. O ato de ensinar envolve intencionalidade, planeamento, mediação e sensibilidade às diferenças individuais. O educador não é apenas aquele que “fala”, mas quem orienta, provoca, estimula a curiosidade e ajuda o estudante a estabelecer relações entre o que já sabe e o que está a aprender. Ensinar é, portanto, um processo ativo e ético, que considera o desenvolvimento integral do sujeito.

Aprender, por sua vez, é um processo pessoal e contínuo de construção do conhecimento. A aprendizagem ocorre quando o indivíduo atribui sentido ao que estuda, relacionando as novas informações com as suas experiências, valores e necessidades. Aprender envolve esforço, participação, erro, reflexão e mudança. Não acontece apenas em ambientes formais, mas ao longo da vida, nas relações sociais, no trabalho e nas vivências quotidianas.

Ensinar e aprender se influenciam mutuamente. Não há ensino verdadeiro sem aprendizagem, nem aprendizagem significativa sem um ensino que respeite o sujeito que aprende. Quando o ensino é dialógico, crítico e contextualizado, ele favorece uma aprendizagem mais profunda, capaz de formar pessoas autónomas, criativas e conscientes de seu papel na sociedade.

Assim, ensinar e aprender são atos humanos fundamentais, que ultrapassam a simples transmissão de conteúdos e contribuem para a formação de indivíduos e para a transformação social.

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publicado às 12:52

Passar da Expectativa à Esperança

A expectativa nasce do desejo de controlar o futuro. Ela alimenta-se de prazos, resultados e certezas. Quando criamos expectativas, imaginamos como as coisas deveriam acontecer e, muitas vezes, colocamos nelas a medida da nossa felicidade. O problema é que a expectativa depende do que não está totalmente em nossas mãos. Por isso, quando não se cumpre, gera frustração, ansiedade e desânimo.

A esperança, por outro lado, é mais profunda e resistente. Ela não ignora as dificuldades nem nega a realidade, mas escolhe confiar, mesmo quando o caminho é incerto. Enquanto a expectativa diz “vai acontecer do jeito que eu quero”, a esperança diz “mesmo que não aconteça como imaginei, ainda há sentido, aprendizagem e possibilidade”.

Passar da expectativa à esperança é um movimento de maturidade interior. É aprender a soltar o controle sem perder a fé, a aceitar que nem tudo será como planeamos, mas ainda assim pode ser bom, transformador e necessário. A esperança não depende de garantias.Ela se sustenta na confiança de que a vida pode surpreender de formas que vão além do que conseguimos prever.

Quando deixamos as expectativas rígidas e cultivamos a esperança, abrimos espaço para a paz. Continuamos a sonhar, mas sem nos aprisionarmos a resultados específicos. Assim, mesmo diante das quedas, permanecemos de pé, porque a esperança não está no que acontece, mas na forma como escolhemos seguir.

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publicado às 13:18

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