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Helena Sacadura Cabral

Helena Sacadura Cabral

Carta para uma versão antiga de mim

Olá Helena!
Há bastante tempo que não nos falamos.
Talvez porque eu tenha passado os últimos anos, a tentar esquecer-te… ou, quem sabe, a tentar perdoar-te.

Sei que fizeste o que pudeste
Mesmo quando parecias não saber por onde ir, tu seguiste.
Tinhas medo, mas não paravas. Choravas escondida, e no dia seguinte sorrias como se estivesse tudo bem.
Eu lembro. Eu vi.

Às vezes, dou comigo a recordar coisas em que eu acreditava tanto.
Dos sonhos que hoje parecem ingénuos,
das pessoas que amei demais,
das vezes que me calei por medo de perder, ou de não ser suficiente.

Queria dizer-te que não falhaste.
Que o que parecia fraqueza era só cuidado demais, com o outro.
Que os erros que temes até hoje, foram, na verdade, tentativas sinceras de acertar.

Eu cresci.
Mudei tanto que, às vezes, nem sei mais quem sou.
Mas existem pedaços teus, aqui no meu jeito de sentir, na minha sensibilidade disfarçada, na minha força quieta.
Tu me ensinaste tudo isso, sem sequer perceber.

Se pudesse, hoje, eu te abraçaria.
Dir-te-ia que vai ficar tudo bem.

Não por magia, mas por esforço verdadeiro.
Vai doer. Vai cansar. Mas vai passar.
E tu vais ser alguém de quem te podes orgulhar.

Com carinho,
a Helena atual

MÃOS PEQUENAS, CORAÇÃO GRANDE

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Já no top de vendas das livrarias.

publicado às 13:07

Quando Não Se Sabe Parar

Há momentos em que o maior ato de coragem é parar. Em uma sociedade que valoriza a produtividade constante, o movimento ininterrupto e o acúmulo de conquistas, parar pode parecer fraqueza. Mas não saber parar é, muitas vezes, o caminho mais direto para o esgotamento, para a perda de si mesmo e para decisões impensadas.

Não saber parar pode se manifestar de diversas formas: insistir em um relacionamento que já não tem afeto, manter-se em um trabalho que consome a saúde mental, continuar um projeto que já perdeu o sentido, ou simplesmente não dar a si mesmo o direito ao descanso. A linha entre persistência e teimosia é tênue, e atravessá-la sem perceber pode custar caro.

Parar não é desistir. Parar é reconhecer limites. É entender que o tempo não é inimigo e que recomeços também exigem pausas. Parar pode ser o início de um novo ciclo, mais saudável, mais consciente. É o momento de respirar, de se ouvir, de recalcular a rota.

Saber parar exige maturidade. Exige ouvir o corpo, as emoções, os sinais sutis da vida. Exige coragem para dizer "basta" mesmo quando tudo ao redor grita "continue". Porque o verdadeiro sucesso não está em nunca parar, mas em saber a hora certa de fazer isso.

Parar, às vezes, é o que salva.

MÃOS PEQUENAS, CORAÇÃO GRANDE
Já no top e nas livrarias.

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publicado às 16:22

DADINHA e o reencontro com o caminho profissional

Conheço-a e sou sua amiga há muitos anos. Não me lembro de ter tido uma casa que não tivesse a sua marca. Às vezes ela chegava mudava  o lugar a três ou quatro móveis e tudo parecia diferente e mais acolhedor. A partir de certa altura, antes de fazer qualquer transformação, dava-lhe um telefonema de socorro e tudo parecia ter sido amplamente pensado e escolhido.

Durante os últimos anos, ela teve o privilégio de viver uma etapa profundamente transformadora e silenciosa da sua vida: dedicou-se integralmente à sua família. Foi um tempo de escolhas conscientes, de presença plena e de aprendizagens que, embora não constem em currículos formais, a enriqueceram de maneira inestimável.

Antes disso, teve uma trajetória profissional intensa e reconhecida, que lhe proporcionou grandes conquistas, parcerias valiosas e crescimento constante. Agora, com novos equilíbrios estabelecidos, todos – amigos e antigos clientes- sentimos que é o momento de ela voltar. De reencontrar o seu lugar no mundo do trabalho com o mesmo comprometimento, curiosidade e paixão que sempre a acompanharam.

Voltar com serenidade, com vontade de contribuir, aprender e, acima de tudo, de construir novas histórias – com o mesmo profissionalismo de antes, mas com uma bagagem humana ainda mais rica.

E, acredito, todos os que fizeram parte do seu caminho até aqui e os que, de alguma forma, se cruzaram com esta nova etapa, vão ficar felizes de a terem, de novo, a dar alma às suas casas.

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publicado às 14:42

AS AGRURAS DA VIDA

Tenho tentado, dia após dia, vencer as agruras da minha via.
Não falo de feitos heroicos nem de grandes reviravoltas.
Falo de o simples acordar quando o sono é um refúgio,
de sair da cama, quando o corpo pesa mais do que parece justo.

É uma luta silenciosa — ninguém a vê, mas eu sinto-a.
Cada passo que dou custa mais do que mostro,
mas sigo, mesmo trémulo, mesmo incerto.

Vencer, às vezes, é apenas não ceder.
É responder a uma mensagem quando tudo em mim se quer calar.
É preparar o café, mesmo sem vontade de comer.
É sorrir para alguém, só para lembrar que ainda sou capaz de sentir algo leve.

Não tenho respostas definitivas,
só esse impulso teimoso que me faz continuar,
mesmo quando o mundo parece girar ao contrário.

E talvez, só talvez, isso já seja uma forma de vitória.

MÃOS PEQUENAS, CORAÇÃO GRANDE
Já no top e nas livrarias.

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publicado às 11:17

FILOSOFIA DE VIDA

A expressão "filosofia de vida" refere-se habitualmente a um conjunto de princípios, valores, crenças e atitudes que uma pessoa adota para orientar a sua existência. É uma espécie de bússola pessoal, que ajuda o indivíduo a dar sentido à vida, a tomar decisões, a enfrentar desafios e a relacionar-se com o mundo.

Diferente, contudo, da disciplina académica, a filosofia de vida é mais prática e subjetiva. Ela pode ser influenciada por diversas fontes: experiências pessoais, ensinamentos religiosos ou espirituais, correntes filosóficas, tradições culturais, entre outras. Algumas pessoas desenvolvem a sua filosofia de forma consciente e refletida, enquanto outras a constroem de maneira mais intuitiva e empírica, ao longo do tempo.

Uma filosofia de vida pode incluir ideias sobre o propósito da existência, a importância das relações humanas, o valor do trabalho, a maneira de lidar com o sofrimento, o papel da ética e da responsabilidade, entre outros temas fundamentais. Por exemplo, alguém pode adotar uma filosofia baseada no estoicismo, buscando manter o equilíbrio emocional diante das adversidades, ou no hedonismo, priorizando o prazer e a felicidade, como objetivos principais da vida.

Ter uma filosofia de vida não significa ter todas as respostas, mas sim cultivar uma atitude reflexiva diante da vida, buscando coerência entre pensamento e ação. Ela serve como uma orientação pessoal face à complexidade do mundo, ajudando o indivíduo a viver de maneira mais autêntica, consciente e alinhada com os seus próprios valores.

Em resumo, a filosofia de vida é a arte de viver com propósito, reflexão e sentido. É um exercício contínuo de autoconhecimento e crescimento pessoal, que acompanha o ser humano ao longo de toda a sua trajetória.

MÃOS PEQUENAS, CORAÇÃO GRANDE
Já no top e nas livrarias.

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publicado às 17:07

SER O MELHOR OU SER MELHOR?

Desde pequenos somos incentivados a buscar o primeiro lugar — ser o melhor na escola, no desporto, no trabalho. Mas, com o tempo, percebi que há uma diferença enorme entre ser o melhor e ser melhor.

Ser o melhor é uma meta voltada para o exterior. É uma comparação constante com os outros. É olhar para o lado e medir o próprio valor pela performance alheia. É competição, muitas vezes alimentada por ego, vaidade ou necessidade de reconhecimento.

ser melhor é um caminho interno. É olhar para quem eu era ontem e decidir crescer. É sobre evolução pessoal, amadurecimento, empatia, superação. É uma jornada contínua, sem pódios, mas cheia de significado. Ser melhor é entender que posso errar, mas também posso aprender. É ter humildade para reconhecer limites e coragem para ir além deles.

Hoje, escolho ser melhor a cada dia. Melhor como pessoa, como amiga, como filha, como profissional. Não preciso provar nada ao mundo, só a mim mesmo. Porque, no fim de contas, a única competição saudável é comigo mesmo. E o verdadeiro sucesso está em progredir, não em vencer.

MÃOS PEQUENAS, CORAÇÃO GRANDE
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publicado às 18:01

A MAIOR DÁDIVA

Há momentos em que a vida silencia. Quando o barulho do mundo se distancia e, por um instante, tudo parece caber dentro do peito. É nesses instantes raros, quase sagrados, que compreendo que a maior dádiva não é o que se pode tocar, nem o que se acumula. É aquilo que se sente profundamente e, ainda assim, não se consegue explicar em palavras.

A maior dádiva é o amor. Mas não aquele que se vende nas vitrines ou se proclama nas redes. É o amor que pulsa em silêncio. Que se revela no olhar demorado de quem fica. Na presença que não exige, mas ampara. No abraço que não cura, mas consola.

É a memória viva de um gesto simples. O cheiro do café que lembra alguém. O sorriso inesperado no meio de um dia difícil. A mão que segura a nossa quando tudo parece escuro.

A maior dádiva é saber que, mesmo quando tudo falha -os planos, os caminhos, a força- ainda existe alguém ou algo que nos devolve à nossa essência. Uma criança que confia. Um animal que espera. Um pôr do sol que nos faz sentir pequenos, mas inteiros.

Não é preciso possuir muito para reconhecer uma dádiva. Só é preciso estar atento. Respirar fundo. Ouvir com o coração.

E, então, perceber que estar vivo, com tudo o que isso carrega - dores, amores, partidas, reencontros - já é, em si, a mais generosa de todas as dádivas.

MÃOS PEQUENAS, CORAÇÃO GRANDE
Já no top e nas livrarias.

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publicado às 21:56

OS LOW PROFILE

Eles não fazem alarde.
Não estão nos holofotes, não disputam aplausos, não colecionam likes.
Passam pela vida em silêncio, mas deixam marcas profundas.
São aqueles que preferem a profundidade à exposição, a escuta ao discurso, a presença ao espetáculo.

Os low profile não precisam provar nada.
Sabem quem são e, por isso mesmo, não gastam energia a tentar convencer o mundo.
Não querem ser o centro — querem paz.
Não buscam atenção — buscam sentido.

Enquanto muitos falam alto para serem ouvidos, eles observam.
Enquanto o mundo corre, eles respiram.
Enquanto todos tentam parecer, eles apenas são.
Serenos, discretos, atentos.
Carregam o universo inteiro nos detalhes, no jeito como olham, no que escolhem calar, no cuidado com as palavras que deixam escapar.

Não confundas silêncio com ausência.
Eles estão, mesmo quando não aparecem.
E talvez estejam mais inteiros do que muitos que brilham o tempo todo.
Porque a sua luz não cega, mas aquece.
A sua presença não se impõe, mas acalma.

São como aquele livro na estante que poucos notam,
mas que muda tudo, para quem o decide abrir.

MÃOS PEQUENAS, CORAÇÃO GRANDE
Já no top e nas livrarias.

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publicado às 22:50

Talvez um dia

Talvez um dia, as coisas façam sentido.
Talvez as palavras, que ficaram presas na garganta, encontrem o seu caminho para fora, sem medo, sem dor, sem atraso.

Talvez um dia, a saudade se transforme em lembrança leve,
e não mais, em peso que aperta o peito, nas noites silenciosas.
Talvez o tempo, esse velho sábio teimoso ensine, com delicadeza,
em vez de dar lições à força.

Talvez um dia, entendamos por que certos caminhos se cruzaram,
só para depois se perderem.
Ou talvez não. E tudo bem, também.
Porque há beleza no mistério, há força na incerteza,
e há amor mesmo naquilo que não ficou.

Talvez um dia…
Mas por enquanto, nós seguimos — passo a passo,
com o coração aberto e o olhar curioso.
Porque talvez o "um dia" seja hoje, disfarçado de agora.

Talvez um dia, as respostas venham sem pressa,
como quem sussurra em vez de gritar.
Talvez o silêncio, que hoje incomoda
amanhã seja só paz, e não ausência.

Talvez um dia, a coragem venha vestida de rotina,
e o recomeço não pareça tão assustador.
Porque, no fundo, nós recomeçamos o tempo todo —
em cada amanhecer, em cada escolha pequena, que ninguém vê.

Talvez um dia, a gente pare de exigir tanto de si,
e entenda que viver, também é permitir-se falhar,
errar o caminho, tropeçar, voltar.
E que isso não é fraqueza — é ser humano.

Talvez um dia, as mãos que hoje estão vazias
sejam as mesmas que acolhem,
outras mãos, outros destinos.
Talvez o amor venha simples, sem urgência,
como um sol que nasce sem fazer alarde.

Mas até lá, nós continuamos.
Remendando os dias, bordando esperanças,
cuidando das feridas com paciência.
Porque talvez o mais bonito de tudo
não seja o “um dia”, mas o “por enquanto”.

MÃOS PEQUENAS, CORAÇÃO GRANDE
Já no top e nas livrarias.

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publicado às 13:56

AS CIRCUNSTÂNCIAS

As circunstâncias moldam o cenário da vida, mas não determinam, por si sós, o enredo. Elas são como o vento que sopra: às vezes a favor, outras contra — e, em muitos casos, imprevisível. São os contextos, os imprevistos, os ambientes e os acontecimentos que nos cercam e que influenciam as nossas escolhas, os nossos sentimentos e os nossos destinos.

Há quem viva sob a sombra das circunstâncias, acreditando que nada pode ser feito diante do que se impõe. No entanto, a história mostra que grandes transformações surgiram, justamente, em momentos adversos. Quando tudo parecia contrário, algumas pessoas encontraram, não um obstáculo final, mas uma oportunidade para se reinventar, crescer e superar.

Ignorar as circunstâncias é ingenuidade. Submetê-las à vontade, por outro lado, é coragem e sabedoria. A diferença está na forma como reagimos a elas. Não escolhemos onde nascemos, nem o tempo em que vivemos, mas podemos escolher como responder àquilo que nos é dado.

As circunstâncias mudam, para o bem ou para o mal. São passageiras, voláteis. Saber reconhecê-las, aceitá-las quando necessário, e enfrentá-las quando possível, é o caminho para uma vida mais consciente e autêntica. A arte está em não ser refém do que nos rodeia, mas também não se fechar ao que pode nos ensinar.

Em última instância, as circunstâncias não definem quem somos — apenas revelam do que somos feitos.

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publicado às 18:05

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